11 de novembro de 2008

GRANDE Prêmio do Brasil

Não sei bem como começar esse texto, mas trata-se de um agradecimento. O GP do Brasil deste ano foi minha quinta oportunidade de presenciar um GP, todos no Brasil. Vi Airton Senna rodar esforçando-se para chegar em Schumacher, em sua ultima corrida em Interlagos, o que também foi uma honra.

No domingo, chegamos sem muita pressa e pegamos um lugar mediano, porém exatamente na frente de uma bela TV. O setor H, patrocínio do Santander, nos permitia assistir o final da reta, S do Senna e a descida da reta oposta. O resto, víamos na TV. De ultima hora, lembrei de levar o velho e bom radinho, que me permitiu acompanhar a transmissão de Teo Jose na Band.

A chuva era a grande incógnita, e as previsões tendiam a afirmar que só choveria no final da prova. Pelo histórico (Hamilton McLaren vs Massa Ferrari) eu a temia e sabia que as possibilidades de Massa eram realmente muito pequenas no campeonato. Minhas poucas expectativas me faziam, no entanto, desejar muito que o brasileiro ganhasse a corrida, e por isso temia algum azar ou pior rendimento pelas condições de menor desempenho do acerto de pneus dos carros italianos nessas condições.

Logo na primeira volta vi, com o coração apertado, a saída de Nelsinho, não reprisada pela TV. Não sei o que causou seu acidente, mas veio estacionar seu carro bem perto de nossa arquibancada. A chuva deixara a pista traiçoeira, mas a pista parecia secar logo. Estávamos bem na frente do S, aonde muitos pilotos escorregavam em uma poça que não queria secar. As primeiras voltas foram tensas por isso, e por meu receio de que a Ferrari, conservadora, errasse o timing da troca para os pneus slicks. Mas a Ferrari e o Massa foram impecáveis durante toda prova.

Quando Glock parou, ainda antes da metade da prova, fazendo uma parada de aproximadamente 14 minutos, cheguei a berrar para os que conseguiam me escutar que ele seria o elemento surpresa da prova. Tudo se encaminha para um encerramento honesto da prova, Hamilton em quarto e Vettel se aproximando – sem muita chance – no entanto. Torcíamos, claro, mas seria muito acreditar na ultrapassagem.

Os pingos chegavam à nossa arquibancada, e a torcida se animava, de pé. Todos trocaram os pneus, menos Glock, o elemento surpresa. Vettel destruía Hamilton no relógio, e no visual todos gritavam no autódromo. Vettel desconsiderou o líder do campeonato, e simplesmente foi embora. Todos gritavam, lembrei do Morumbi quando de um Gol do São Paulo. Goolll!!! E Massa terminou a prova campeão do mundo, perdendo o titulo na ultrapassagem de Hamilton sobre o elemento surpresa, na ultima curva do ultimo GP do Calendário!

Sensacional, quanta emoção. Todos sofriam um gosto amargo, e não se festejava nem a vitória de Massa em Interlagos, supremo. A torcida levou um tempo para entender que havíamos perdido, e o “estádio” se calou aos poucos. Agora, víamos irmão e família de Hamilton festejando na Tv. Triste.

Meu coração sabia que Massa, e sua Ferrari, foram os verdadeiros campeões daquele domingo. Um campeonato não pode ser julgado por uma única corrida, e o conjunto Hamilton McLaren foram sim melhores no ano. A Ferrari errou muito, segundo contas de LN, 17 pontos “roubados” do Massa. Mas o inglês não poderia nunca deixar Vettel a poucas voltas para o final do campeonato.

Não festejamos a vitória em Interlagos, envenenados com a contagiante esperança que invadiu o torcedor brasileiro, mais fervoroso do que qualquer tifosi italiano. Não fui embora triste, apenas ensopado pela chuva que agora caía como lagrimas. No fundo, pois Felipe me surpreendeu, amadurecido e veloz, estou orgulhoso.

Antes que eu meu esqueça, obrigado ao meu avô Antonio Ronaldo, pela insistência e carinho em nos arranjar os ingressos. ( Be )

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